O design e a responsabilidade social


  

Matéria da Revista ABC Design . Dedico ao meu namorado… Bom saber que tem gente trabalhando por causas nobres… ainda… 

 Grande parte dos designers gosta muito de ultrapassar os limites do computador e ir explorar a arte na rua, nossa conhecida e querida street art. Pintar muros, colar adesivos, brincar com intervenções. 

Usando essa linguagem, o designer alemão, Thomas Lupo, criou um projeto de inclusão social que ele aplicou recentemente com as crianças do Morro do Papagaio, em Belo Horizonte. 

 Durante 112 dias, Lupo produziu com as crianças trabalhos usando variados meios como caixas de papelão, revistas, tecidos e papéis velhos. Ele também ensinou como fazer as pinholes, e as crianças puderam fazer experimentos independentemente, documentando o seu redor, o que resultou não só em um valor artístico grande como, mas também em uma experiência significativa para elas. 

O resultado do projeto é um livro fotodocumentário, chamado Pra Fora/Outward, de 400 páginas, que mistura ilustração, registros dos processos e os trabalhos feitos com as crianças. No entanto, esse trabalho ainda não conseguiu sair do protótipo por falta de um patrocínio e de uma editora brasileira disposta a publicar esse material tão bacana.

 Tomas Lupo, que é um design já premiado com oito prêmios internacionais, inclusive um Ouro em Cannes em 2008 e na ADC (ArtDirectorsClub Nova York/EuropaAlemanha), contou para gente melhor um pouco do projeto e seus planos futuros com ele.

 

 O que te levou a fazer esse projeto?

 Há um tempo atrás, quando fui à Índia e ao Cambodia, visitei crianças em orfanatos. Essa experiência mudou meu coração e meu jeito de ver o mundo e quanto tive a oportunidade, fiz esse projeto no Brasil. Meu objetivo era usar a arte como forma de ajudar crianças desprivilegiadas dando lhes uma oportunidade de se expressarem num mundo em que ninguém as escuta. 

  

 

Qual era seu objetivo com essas crianças?Meu objetivo era dar uma voz às crianças usando a arte porque é um tipo de linguagem que todo mundo pode entender. Dar esse “dar a voz” aconteceu em três etapas. Primeiro eu fui e tentei fazer com que eles encontrassem sua própria criatividade, deixando que elas se expressassem. Foi bem interessante ver como a criatividade deles ia se desenvolvendo. No começo eles não queriam se expressar, por se achavam incapazes.

No segundo passo, eles deveriam expressar-se criativamente pelas suas ruas, no caso, por meio da street art. Todo mundo que passava pela área podia reconhecer o que eles estavam fazendo, “ouvindo” o que eles tinham para dizer. O terceiro passo foi criar o livro que eu quero publicar, mostrando essas crianças com uma linguagem moderna. Minha intenção não era mostrar crianças pobres numa área pobre, mas mostrar o potencial criativo que eles têm. É preciso dar para eles um melhor futuro, porque o talento deles está “chorando” por investimento, e as almas deles pedindo para que as pessoas as escutem. 

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2 comentários sobre “O design e a responsabilidade social

  1. “Meu objetivo era usar a arte como forma de ajudar crianças desprivilegiadas dando lhes uma oportunidade de se expressarem num mundo em que ninguém as escuta.”

    Eu tenho dito isso há muito tempo!

    Obrigado Amor, pela dedicatória deste post e parabéns por postar algo desse tipo.

    Muito boa a atitude de Thomas Lupo, mas isso não deve se restringir somente as Artes e ao Design não. Cada ser humano, independente de sua técnica ou profissão deve estar inserido de alguma forma na luta contra as desigualdades sociais e suas mazelas.

  2. Abaixo segue um trecho de uma crítica que fiz, um desabafo que venho postando faz tempo!

    Individualidês

    “Entristece-me ver toda a humanidade clamando por dinheiro, mercado de trabalho, numa marcha individualista ao qual jamais vimos em toda a história. É histeria, frenesi, loucura, frieza, multidão…As pessoas estão sempre perto de tanta gente e cada vez mais sentindo o frio da solidão.

    Isso tudo porque vivemos numa “sociedade Tiradentes”, esquartejada, fragmentada, sem valores. Crianças, jovens, adultos ou velhos já não conseguem sustentar uma ideologia que convença um determinado grupo a pensar em comunhão. O que vemos são pensamentos soltos, individualistas, todos seguindo o fluxo macabro das diretrizes empresariais, governamentais, corporativas. No que eu chamo de: “fazer o seu”.

    No final as pessoas só querem “fazer o seu”, conquistar o melhor lugar num concurso, conseguir o melhor emprego, dar o de melhor para os SEUS filhos e depois estas mesmas pessoas fardadas por uma agonizante culpa, pq muitas vezes não conseguiram tais projeções. Se matam, se deprimem ou o não menos correto: desejam paraísos celestiais, buscam salvação em outros planos etc. É aí que eu caio na gargalhada; como nós seres podres, egoístas e mesquinhos podemos almejar algo “celestial” se só falamos o “individualidês”?

    O que vejo é uma sociedade desesperada. Pq partindo para o lado dos bem sucedidos temos pessoas que conseguiram Doutorado, conseguiram um bom emprego, uma boa TFP (tradição, família e propriedade) e mesmo assim são completamente infelizes, corrigindo; eu diria “insatisfeitas”. Vai entender, né?!”

    Daniel Augusto de Sá e Cruz

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