Como os micreiros prejudicam os designers?


Fazendo minhas pesquisas diárias sobre a minha vida (que é o design), descobri um site bem bacana e uma matéria mais bacana ainda que segundo o próprio autor do site deu pano pra manga, ou seja, fez sucesso e rendeu muitos comentários. Estamos falando nada mais nada menos do que a discussão de sempre: design X micreiro (ou sobrinho como muitos costumam chamar). A matéria ou comentário nos atenta para um fator importante: Os micreiros não tomam o nosso espaço, pois não podemos ser comparados á eles. A nossa prestação de serviços não é a mesma e muito menos o nosso público. O valor cobrado assim como a qualidade do desenvolvimento e produto final NUNCA será o mesmo. Então, estamos reclamando do quê?

Confira a matéria e depois confira o site com outras “Designices” e não esqueçam de deixar suas opiniões =)

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Bem me lembro que durante meu curso superior de Design Digital alguns professores falaram e teve até um que deu um texto para ser interpretado, que atacava os micreiros (no texto eles chamavam “sobrinhos”) e basicamente falava que eles eram o pior terror para a profissão do designer. Pois é… E cadê a prova disso tudo?

Pra mim é tudo balela. Se eu estiver errado, então me prove com números. Os micreiros ficam lá, os designers ficam cá. Tem sempre um que fala “Ah, mas eles tiram meu emprego”. Tiram, é? Quantas vezes a Agência Click, por exemplo, contratou um micreiro pra fazer suas peças que concorreriam ao Cannes? A AlmapBBDO trouxe um grupo de micreiros pra conseguir a conta de algum cliente importante? A Editora Globo terceirizou micreiros pra fazer a identidade da revista X ou Y? Não, né? Então… Talvez o micreiro tenha feito por R$ 325,00 o site da papelaria que tem perto da sua casa (até porque eles não teriam os 2 ou 3.000 que você cobraria para fazê-lo). Talvez o sobrinho do amigo tio que sabe mexer no Corel Draw tenha cobrado R$ 8,50 pra fazer o cartaz de “Vende-se ovos” para a quitanda da amiga da sua tia. É com esses caras que você quer competir no mercado? É esse tipo de trabalho que você quer? São esses os caras que você compete numa entrevista? Ah, bom…

 Micreiros x Postura profissional: Quem (ou o que) prejudica mais a profissão?

Muitas vezes me questiono da posição do designer dentro de uma empresa. Sempre me lembro de um passado remoto, quando eu era office-boy, junto de outros oito ou nove adolescentes. Pra eles não bastava ser office-boy, também era necessário se portar como. Todas as gírias de periferia possíveis, roupas largas e extravagantes, boné de basquete norte-americano, pouca cautela pra falar… Enfim. E não era da natureza deles, não. Era algo que contagiava quem começasse a trabalhar lá (e também nas outras empresas dos prédios ao redor). Por que será que nenhum deles pegaria aquela vaga de auxiliar de escritório? Porque a vaga não é pra alguém assim. Ah, nada contra as vestimentas, não. Mas acredito que elas devam ser de acordo com o tipo de negócio que você trabalha. Nesse caso, uma seguradora, cheia de regras e de bancos importantes como clientes principais e um povo de terno sempre ao redor. Não esperava que os meninos fossem trabalhar de fraque, apenas não acho interessante ir vestido como se vai para o clube no final de semana praticar esportes. Ah, é evidente que não estou exemplificando baseado em funcionários numa agência ou empresa descolada, que permitem e promovem essa casualidade (extremamente saudável e indicada) na aparência.

Da mesma forma que os estagiários de todos os lugares que trabalhei que se comportavam como estagiários NUNCA foram efetivados.

Dúvidas: Será que não falta para a profissão se preocupar com a NOSSA postura profissional invés de fazer o mesmo pela postura de um micreiro que nem sabe porque ele não é designer? Quão contente um gerente de marketing fica com explicações do tipo “NÃO DÁ pra mudar porque estou usando uma referência direta aos estudos de gestalt do objeto da Deutscher Werkbund”? Inclusive tem gente que fica sem resposta se as frases prontas “Não dá”, “Não tem como” e “É impossível” sumirem da Língua Portuguesa. O designer precisa ser o solucionador de problemas, não o causador de outros.

Designers mendigos

Ocasionalmente pelo Orkut eu encontrei uma comunidade chamada “Designers mendigos”, onde na descrição tinham coisas como “Se você tem 22 anos, está formado e não tem perspectiva de comprar um carro por conta do salário aqui é seu lugar”. Ok, ok, sei que sou ranzinza pacas. Sei que até pode parecer engraçado, mas mesmo que algumas vezes isso possa ser verdade, quanto será que uma coisa dessas ajuda as pessoas de fora a olharem para a profissão de designer de maneira digna (já que nem quem é designer olha)? Engraçado é que não tem nenhuma comunidade de “neuro-cirurgiões mendigos”, nem “vendedores de loja de shopping mendigos”, nem “frentistas de posto de gasolina mendigos”, nem marketeiros, nem programadores. E a comunidade tá lá, com mais de mil e duzentas pessoas. A comunidade brasileira de tipografia que tem mais membros não passa da casa dos três mil, ou seja, um terço desse valor se identifica designer mendigo (claro, não necessariamente os membros dessa comunidade, só estou comparando os valores). É curioso pensar que não gostamos de micreiros porque eles sujam nossa profissão e denigrem nossos valores, mas se comparar a mendigos não tem problema, né?

Só pra fechar

Quero deixar bem claro que não sou satisfeito com o que o mercado paga para os designers. Tampouco acho que nem os clientes nem nossos chefes tratam nossa profissão com a seriedade que deveriam. Mas também acho que muito disso não se deve apenas aos micreiros, sobrinhos nem a toda a turma deles. Se a cabeça de quem faz parte do grupo “prejudicado” não muda, mais complicado ainda mudar o pensamento de quem está apenas assistindo de fora. Nos últimos três anos quantas entrevistas em programas de talk-show foram com designers que fizeram algo grandioso pela sociedade? Quantos projetos de melhorias para o país foram idealizados por designers? Quantos designers você conhece que se envolvem com projetos para ONGs ou OSCIPs? Pois é… Que coisa, não?
Corcorda? Discorda? Não tem problema. Se design é projeto, como diria o Mestre Alexandre Wollner, ele pode ser fortalecido pelas discussões.

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9 comentários sobre “Como os micreiros prejudicam os designers?

  1. Bem pensado, afinal podemos dizer que todo Designer de hoje já foi um “micreiro” de ontem. Falta a galera da mais valor ao que faz, não só os designers como tb técnicos de informática e várias outras atividades relacionadas. Achei foda e sucesso aí.

  2. Nós designers deveríamos saber nosso lugar e nos valorizar mais. Há lugar para todos. Imaginem o Alexandre Wollner fazendo a faixada do “aviário da esquina”? Micreiros nunca deixarão de existir e é bom que existam… digamos que de certa forma eles fazem o trabalho sujo (sem querer ofender) rs.

  3. Designers mendigos foi demais!!! Onde fica nosso orgulho? Por isso ninguém nos valoriza…

  4. Achei o artigo ótimo… e óbvio! Felizmente comecei como micreiro (a melhor maneira de aprender é na prática) e 20 depois cobro um preço completamente diferente. Tem cliente que quer trabalho profissional com preço de micreiro, mas isso eu percebo em cinco minutos e até recomendo os micreiros, que são importantes para resolver problemas de comunicação para quem não tem grana. http://www.criatura.com.br

  5. Com tantos scripts gratuitos e com a qualidade de um photoshop nunca precisei pagar designer, programador e nem nada. Eu mesmo fiz o site a minha empresa e quando algum amigo me pergunta se eu conheço alguem que faço site imediatamente recomendo que ele mesmo faça o próprio site e passo um templates e tudo fica certo. Contratar designer é besteira mesmo que seja baratíssimo.

  6. E realmente não precisa contratar ninguem dependendo da situação…hoje em dia está muito fácil fazer um site.

  7. Fazer um site todo mundo sabe, mas fazer um site que de certo nem todos sabem.

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